domingo, 26 de outubro de 2008

Carlos Drummond de Andrade já disse tudo:

As sem-razões do amor

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Nos dias de hoje acontece...

A exteriorização imposta à "interioridade".
A luta pela permanência do futuro pautado no presente.
A reprodução da normalidade sensivelmente caótica.
Sentir a pressão e a angústia alheia ao mesmo tempo em que busca entreter-se.
Não lutar pelo amanhã, ser fatalista!
Conservar a estrutura imutável e perene, aceitar!
Não enxergar as possibilidades postas, não enxergá-las como um fim , mas apenas como um meio.
Ver nas piores tradições a busca do verdadeiro, mesmo que isso o deprima depois.
Não se expor pelo medo do ridículo.
Reproduzir tudo aquilo que te aflige aos teus alunos, irmãos, sobrinhos , vizinhos e filhos!
Não enxergar nas coisas e nas pessoas a origem do problema, preferir atribuir algo fantástico àquilo que não reconhece facilmente.
Cruzar os braços sem ao menos dar-se ao luxo de sonhar.
Acatar a ordem sem questionar sua origem .
Reproduzir o que meus avós diziam.
Ser como os nossos pais.
Resumindo: ser incapaz de lutar por um nova perspectiva !